Imortalidade da Alma: da Crença à Convicção

Pintura “Ressurreição de Cristo” de Raffaello Sanzio.
Pintura “Ressurreição de Cristo” de Raffaello Sanzio.

 

Aimortalidade da alma é o ponto de partida do Espiritismo, pois é nela que está fundamentada toda a sua ciência e filosofia. Assim, a Doutrina dos Espíritos responde às seguintes indagações: a sobrevivência da alma à morte corporal é uma realidade ou uma falácia? Existem provas materiais de tal fato? Quais são elas? Ou a sobrevivência da alma é um artigo de fé que não pode ser questionado? A religião Cristã também tem como pedra angular a crença na imortalidade da alma. Portanto, o que de novo o Espiritismo nos traz uma vez que o Cristianismo, que é milenar, já professava tal dogma muito antes da revelação espírita que só tem um pouco mais de 150 anos?

O Cristianismo está fundamentado nos livros sagrados do novo testamento, que relatam a vida e morte de Jesus Cristo. Os quatro Evangelhos narram com detalhes sua morte e ressurreição.

As escrituras revelam que Cristo morreu crucificado e três dias depois apareceu e conversou com seus discípulos, dando provas da sua ressurreição, ou seja, da sua imortalidade. Veja abaixo o que o Padre Fábio de Melo tem a dizer a esse respeito:

“O que me instiga em tudo isso é a falta de provas para o fato. O sepulcro estava aberto, vazio. Mas isso não era o suficiente para que a ressurreição fosse proclamada. Alguém poderia ter roubado o corpo. Não faltariam incrédulos para essa suspeita.”

“A certeza da ressurreição não consiste em provas materiais para o fato. A imposição dessa verdade não passa pela materialidade do mundo, nem tampouco pode ser explicada através das claras regras que foram postuladas por nossa razão cartesiana.”

Fica claro que a ressurreição do Cristo para o cristão não passa pelo crivo da ciência e nem da razão. É um artigo de fé.

O Espiritismo nasceu num momento de incredulidade da Humanidade. O século XIX foi tomado por filosofias que afastaram o homem da religião. Foi colocado em xeque o dogma religioso da imortalidade da alma. Com isso, essas filosofias empurraram o homem à satisfação plena dos gozos terrenos, sem se importar com próximo.

No entanto, o Espiritismo demonstra a imortalidade da alma pelo uso da razão e da ciência. Este processo foi iniciado pelos fenômenos das mesas girantes, que tomaram conta dos salões europeus daquela época. Assim, descobriu-se que por trás daquela brincadeira inocente existia uma das potências da Natureza a interferir, de forma oculta, incessantemente sobre nós: os Espíritos.

A demonstração da imortalidade da alma passa pelo estudo sério, perseverante e regular da natureza dos Espíritos. Todos os fenômenos espíritas passam pela existência do médium, pessoa dotada de uma faculdade especial. Ele é o intermediário entre nós e os Espíritos. Portanto, também devemos estudar a mediunidade.

O Espiritismo não veio para condenar ou destruir a religião, mas ao contrário, veio dar-lhe amparo e sustentação, pois demonstra a realidade de muitos dos seus dogmas. Veja o que Kardec diz a esse respeito:

“…o Espiritismo repousa sobre as bases fundamentais da religião e respeita todas as crenças; que um de seus efeitos é incutir sentimentos religiosos nos que os não possuem, fortalecê-los nos que os tenham vacilantes.”

Foram estes os motivos que levaram Kardec a chamar os espíritas de adeptos do Espiritismo, e não crentes. O adepto é aquele aderiu a uma filosofia, pois a compreendeu, ou seja, está convencido das suas ideias pelo uso da razão. Portanto, continuemos a estudar a Doutrina espírita de forma séria e continuada, para nos convencer que somos Espíritos imortais, e que este ensino nos alavanque definitivamente a nos tornarmos mulheres e homens de bem.

Por João Viegas

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