O Despertar de um Cristão

Boa noite!

Eu peço permissão aos dirigentes deste trabalho para falar um pouquinho sobre as minhas impressões sobre ele e deo despertar quem sou. Eu, como um ex-dirigente de uma ordem religiosa, sinto-me feliz quando enxergo tanta luz, vindo de tantos corações. Estar aqui já é um presente muito grande, poder olhar para a luz que modifica as pessoas que aqui chegam, este é um presente dobrado, isso me dá muita alegria, mas ao mesmo tempo me chama a uma reflexão muito forte. Estando aqui ainda em trajes das indumentárias religiosas, gostaria que desconsiderassem a minha pessoa como um religioso, e que não observassem a minha opinião como uma opinião religiosa, apenas como um depoimento de um ser cristão que se equivocou muito durante a sua vida terrena e também em alguns momentos nessa vida espiritual.

Como pároco de minha humilde igreja, como bispo que fui e mandatário de tantos irmãos que professavam a fé católica e cristã, muitas vezes fiz julgamentos tão comuns àquela época, por achar que seria a Igreja a dona do mundo. Talvez se nos colocássemos em posições mais humildes, se enxergássemos estas verdades espirituais bem mais próximas ao humilde servo de Assis e ao nosso Cristo, eu não tivesse enfileirado a campanha da difamação e da falsa moralidade, procurando julgar e condenar aqueles que praticavam atos da caridade desinteressada, mas sob a égide da bandeira Espírita.

Não fui um combatente do Espiritismo, justamente porque em minha cidade, não tinha ainda a manifestação de uma forma muito clara, onde qualquer entidade religiosa pudesse assumir a bandeira desta doutrina, mas os preceitos doutrinários nos quais se enxergava esta força revolucionária eu as combatia, as combatia com muito ímpeto, procurando abafar naquelas criaturas o desejo da liberdade espiritual, e isso fiz muito veementemente, com muitos exageros até, com excomunhão e com atos que me envergonham hoje, condenando as pessoas ao fogo do inferno, que na verdade mal saberia eu que estaria lá também. Mas eu estou nesta condição hoje, de um ser humílimo, querendo apenas me retratar deste pensamento equivocado, trazendo aqui a vocês o meu depoimento de quantas vezes eu estive à beira do precipício querendo e desejando acabar com esta doutrina, mas como muito bem se colocaram hoje neste recinto, esta misericórdia esplendorosa que abre os olhos de todos aqueles que desejam enxergar.

Enveredei-me numa situação de muito sofrimento após uma doença incurável e anos preso a um leito, pude ser assistido por irmãos caridosos, desinteressados em saber quem eu era, quem fui no passado. Eles granjeavam apenas o meu sorriso, eles queriam apenas a minha satisfação e o meu bem estar. E eu quantas vezes pude ofertar-lhes isso? Amargurado com o sentimento de abandono que experimentava naquele leito, por muitos irmãos de fé, que por medo da minha doença me abandonaram, deixaram-me em leito enfermo, acreditando ser uma lepra que poderia contaminar a todos. Não me mandavam carta alguma, nenhum bilhete de preocupação ou uma prece que pudesse amenizar o meu sofrimento, mas foi nesta hora onde compreendi que aqueles irmãos abnegados estavam ali trazendo o conforto material, através do pão que me alimentava e também aquele sorriso fraterno que me trazia por doces mensagens que eram um bálsamo em minha desesperança, em meu sofrimento, em minha angústia.

Hoje só quero agradecer, vim aqui trazer o meu pleito de gratidão a todos aqueles que me acolheram e foi nesta casa, onde fui recebido pela primeira vez, tirado das profundezas da minha incompreensão, das minhas revoltas e, principalmente, da minha empáfia (soberba) e do meu orgulho, onde aqui eu pude ser acolhido e esclarecido. Sei que aqui não foi a minha redenção, mas apenas o despertar. Trazido aqui por mãos amigas pude compreender, de forma muito clara, a finalidade da caridade sincera e desinteressada. Hoje meus filhos, eu não estou curado, estou apenas remediado, estou precisando muito de vossas orações, e aqui este humilde servo, pede lhes que roguem para que me sinta fortalecido de ainda vencer estes traumas, e quem sabe num futuro adiante poder compartilhar deste trabalho. De qualquer forma eu quero volta aqui, para contribuir, seja na condição de ser espiritual desencarnado ou quem sabe uma criaturinha vivendo na carne, nos braços de alguns de vocês, mas que Deus me permita sempre estar aqui consciente de tudo aquilo que Ele nos deixou, através dessas mensagens divinas e do exemplo cristão, que aqui se professa.

Gostaria que escutando esse meu depoimento, se alertassem para a vida, procurassem vivenciar a verdadeira fraternidade, dando valor que tem, seja nas suas casas, seja fora delas, mas que valorizem aquilo que podem ver e enxergar, inclusive que podem transformar, que estão ao vosso alcance. Porque nós somos responsáveis meus filhos, como dizia Exupéry, em sua grandiosa obra, nós somos responsáveis por aquilo que cativamos. Sejamos nós mesmos o nosso próprio artifício de vida.

Muito obrigado, uma noite de paz e de luz para todos que aqui se encontram, principalmente, para esses irmãos abnegados que me permitiram estar aqui hoje. Muito obrigado. Que a paz seja a verdadeira tranquilidade de todos os corações. Que assim seja!

Espírito amigo

Mensagem de Espírito Amigo, recebida no grupo mediúnico Chico Xavier em 16 de agosto de 2015

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