O Dirigente da Casa Espírita deve ser o mais humilde tarefeiro

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O trabalho desenvolvido nas Casas Espíritas fundamenta-se sobre a base do amor e do bom desenvolvimento do trabalho coletivo. Desse modo, colaboradores encarnados e desencarnados ocupam, cada um, uma parcela significativa e de grande responsabilidade na primazia da realização dos objetivos referentes à Casa enquanto hospital e/ou educandário do Espírito.

Esta primazia perpassa primeiramente a busca pela reforma íntima de cada um desses que formam essa coletividade. Aparando as arestas de nosso próprio ser estamo-nos “qualificando” para as obras edificantes. Obras estas, que vão muito mais além do administrar, seja em grupos de estudos, aplicar passes, entre outras coisas, mas acolher, compreender e auxiliar o outro em suas necessidades, dores e ignorância.

Assim sendo, entendamos que todos os trabalhados de uma Casa Espírita foram convidados a um compromisso de amor. Compromisso esse que ultrapassa o complexo físico e espiritual que estrutura um Centro Espírita. Além dessa função atribuída a todos nós, e para além das Casas Espíritas, os trabalhadores de um Centro Espírita desenvolvem inúmeras atividades diferentes, entre essas funções está a do dirigente, ou presidente da Casa.

Este, juntamente com a equipe do plano espiritual responsável, tem a função de gerir os colaboradores e as atividades realizadas na Casa. Contudo, é preciso que percebamos que essa tarefa, além de muito amor, requer equilíbrio e sabedoria para que as decisões e conjecturas tomadas possam ser pensadas sempre visando à harmonia do complexo coletivo, o respeito às individualidades que congregam o grupo e consequentemente a causa maior.

Nesse contexto, cabe ao dirigente ter “olhos de ver”, compreender não só quais são as necessidades da Casa, do que ela precisa oferecer para quem a busca desenvolvendo e/ou fortalecendo projetos e atividades já existentes, mas, também, perceber quem são os trabalhadores dessa Casa para que possa alocá-los e auxiliá-los de melhor maneira possível nas atividades a serem realizadas. Bem como, para que possa compreender e auxiliá-lo em suas particularidades. Afinal, somos todos necessitados. Trazemos todos nossas chagas e necessidades de aprendizado.

Como já foi dito, a Casa Espírita é um complexo fundamentado nas bases do amor e do trabalho coletivo. Sendo assim, para que funcione de maneira plena é preciso que cada parte desse todo esteja equilibrada. A observação e a solução dos problemas passa pela responsabilidade do dirigente que deve pautar-se em Jesus, nosso Grande Mestre.

Jesus, acolhia, compreendia e auxiliava a todos passando muito longe dos julgamentos, do egoísmo, do orgulho, da violência às consciências, da ansiedade, da força. Jesus amava! Jesus ensinava libertando. Não compactuava com o que não ia de encontro as suas verdades, as verdades divinas, não nos isentava das responsabilidades, mas respeitava e esclarecia.

Ainda passamos muito longe do grau de iluminação espiritual desse Mestre e amigo, mas trazemos em nós a mesma essência, basta-nos desenvolvê-la. E ele mesmo, Jesus, nos disse o que fazer para seguir os seus passos. Façamos ao outro o que gostaríamos que nos fosse feito como nos foi recomendado, e estaremos cumprindo nosso papel com esmero.

Estejamos engajados em Casas Espíritas ou não, sejamos dirigentes ou não, somos todos filhos de Deus, trabalhadores da vinha de Jesus e o nosso principal dever é aprender a amar. Amar de maneira sublime, amar como Jesus nos ama.

Ser dirigente da Casa Espírita é oportunidade de trabalho, de servir, de desprendimento ou de ser reconhecido? Você que é ou pensa em ser dirigente de uma casa espírita, despoje-se da vaidade, do orgulho e do egoísmo disfarçado pelo verniz das aparências tolas e vãs, trabalhe como o mais humilde dos tarefeiros e estará servindo na Vinha de Jesus, na obra do Pai Celestial.

Por José Rodrigues Xavier

Artigo publicado na edição de outubro de 2014 do Boletim do CEFA

 

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