O que é o Espiritismo

O Que e o espiritismo
Frontispício original em francês do livro “O Que é o Espiritismo”

É de suma importância que os espíritas saibam responder a pergunta título deste artigo. Esta compreensão permite ao Espiritismo não se desviar da sua origem e nem de seu verdadeiro caráter.

Para respondê-la, recorro, naturalmente, aquele a quem prefiro chamar de “O Fundador do Espiritismo”6: Allan Kardec. No livro “O Que é o Espiritismo?” ele define de maneira suscinta como segue abaixo:

“O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os espíritos: como filosofia, compreende todas as consequências morais que dimanam destas mesmas relações.”1       

O Espiritismo é uma ciência experimental. Os objetos de estudo desta ciência são os Espíritos, seres extracorpóreos dotados de inteligência, individualidade, caráter e livre-arbítrio. Os Espíritos nada mais são do que as almas das mulheres e homens que viveram na Terra, despojados de seu corpo carnal. Comunicam-se conosco através dos médiuns, que são pessoas dotadas de uma faculdade especial que permite vê-los, ouvi-los e senti-los. Em outros casos, os Espíritos utilizam o corpo do médium para se comunicar através da fala ou da escrita.

Como o objeto desta ciência é um ser pensante, dotado de livre-arbítrio, implica dizer que os fenômenos não ocorrem de acordo com a nossa vontade. Não é possível submeter os Espíritos aos nossos caprichos e convenções das ciências como a Física, Química, Biologia e tantas outras. Diferente de todas as ciências, não coube ao homem elaborar teses para explicar os fenômenos e depois testá-las em laboratório. “Foi o próprio fenômeno que revelou a palavra”2. Foram os próprios Espíritos que explicaram como se dava o fenômeno.

O papel de Kardec foi de imprimir um caráter científico às relações entre nós e os Espíritos. Era necessário um olhar sério, criterioso e investigativo, para não se deixar levar pelas futilidades, fraudes, charlatanismo e mistificações, pois nenhuma ciência é livre dessas dificuldades. Com o Espiritismo não seria diferente.

O Espiritismo é uma filosofia de vida. As comunicações dos Espíritos, principalmente através da escrita, nos revelaram um conjunto de instruções e ensinamentos que nenhuma outra ciência, filosofia e religião professavam até então. Os Espíritos responderam de maneira clara, lógica e racional as questões mais graves que foram e são motivos de preocupação central de nossos grandes filósofos, desde os tempos da Grécia antiga: quem somos nós? De onde viemos? Para onde vamos?

O papel de Kardec foi de elaborar as perguntas certas para que os Espíritos respondessem. Foram estas as razões que o levaram a criar um novo termo para se referir a este conjunto filosófico, algo totalmente novo para a Humanidade: Espiritismo ou Doutrina dos Espíritos.

A filosofia espírita nos revela que estamos na Terra de passagem. O mundo espírita é o normal, primitivo, preexistente e sobrevivente a tudo. O mundo corpóreo é transitório, poderia deixar de existir sem que alterasse a essência do mundo espírita4. Após a morte do corpo retornamos ao mundo espiritual com a nossa individualidade, inteligência, caráter e livre-arbítrio, isto porque também somos Espíritos. A nossa situação após a morte dependerá fundamentalmente do que fizermos de nosso livre-arbítrio durante a vida encarnada. Sofreremos no mundo espiritual o mal praticado contra quem quer que seja, mas seremos recompensados pelo bem que fizermos ao nosso semelhante.

No entanto, a misericórdia Divina dá inúmeras oportunidades de reabilitação a todos os seus filhos. As almas dos criminosos mais perversos terão sua chance de reparar seus equívocos, mesmo que o arrependimento sincero venha tardiamente. As múltiplas existências corpóreas permitem ao Espírito resgatar todo o mal praticado e progredir na senda do bem, desde que use seu livre-arbítrio com sabedoria, pois o propósito final de todos é a perfeição.

Esta é, em poucas palavras, a essência do Espiritismo. Cabe a nós questionar se estamos realmente convictos dela para nos auto intitular espíritas. Somos discípulos de Kardec, e como tais, devemos dar prosseguimento ao seu trabalho científico de investigação dos Espíritos. Devemos, por fim, questionar diariamente se somos pessoas melhores que ontem, pois a transformação moral que o Espiritismo nos convida da fazer deve ser o tema central de nossas preocupações.

Por João Viegas

Referências Bibliográficas:

  • KARDEC, Allan. O que é o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 41ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1999, Prâmbulo.
  • KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 74ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, Introdução. Item IV.
  • KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 74ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, Introdução. Item I.
  • KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 74ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, Introdução. Item VI.
  • KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 74ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, Introdução. Item XVII.
  • KARDEC, Allan. Obras póstumas. Tradução de Guillon Ribeiro. 1ª ed. especial Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2005, Biografia de Allan Kardec.
  • KARDEC, Allan. Obras póstumas. Tradução de Guillon Ribeiro. 1ª ed. especial Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2005, A minha primeira iniciação no Espiritismo, segunda parte.