Os Ruídos e a Essência do Natal

É Natal! É Natal!… É tempo de 13º! É tempo de comprar! É tempo de troca de presentes! É tempo de mesa farta! É tempo de extravasar na comida e na bebida! É tempo de colocar o pisca-pisca nas janelas! É tempo de montar a árvore de Natal! É tempo de Papai Noel! Diante da avalanche de informações que envolvem o Natal, como lembrar daquilo que é essencial neste dia?

O Natal dos dias de hoje pode ser comparado a uma emissora de rádio que concorre com outras piratas que estão na mesma frequência. O ouvinte não consegue discernir o que vem dela do que é uma invasão. Tudo que se ouve parece ruído. Precisamos de um filtro para reter as interferências e receber, de forma limpa e clara, apenas a transmissão da legítima emissora. Para isso, vamos buscar, historicamente, de onde vieram alguns símbolos e ritos que fazem parte do Natal.

Troca de presentes e banquetes. Aponto duas referências: uma está na Bíblia; São Mateus narra o encontro dos magos com o menino Jesus para lhe adorar, oferecendo ouro, incenso e mirra. Outra está no festival romano Saturnalia, em homenagem ao deus Saturno, que ocorria em meados de dezembro. A Saturnalia tinha início com grande banquete; os participantes tinham o hábito de visitar seus amigos e presenteá-los. Era a festa mais popular entre os romanos, que durava de 3 a 7 dias, onde as regras sociais podiam ser quebradas. Esta festa continuou até o séc IV D.C., quando seus rituais foram absorvidos pelo Natal.

Papai Noel. Apesar de ser considerada uma lenda, sua origem é real, se trata de São Nicolau, bispo na Turquia que viveu no séc. IV e costumava ajudar pessoas pobres, pondo moedas de ouro nas chaminés de suas casas no Natal. Porém, a imagem que se tem hoje de Noel foi elaborada no séc. XIX pelo cartunista Thomas Nast, sendo posteriormente utilizada em campanhas publicitárias de várias empresas, devido à popularidade do bom velhinho.

Muito dos costumes do Natal não tem relação com seu aniversariante. Infelizmente, a maioria é de origem humana, que satisfazem a uma determinada necessidade e interesses materiais. Diante deste turbilhão de informações, eu pergunto: Qual é a essência do Natal?

Se o aniversariante é Jesus de Nazaré, quais são os presentes que devemos oferecê-lo? Ouro, incenso e mirra como fizeram os magos?

Recorro ao 1º item do cap. Fora da Caridade Não Há Salvação de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, que resumo abaixo: nesta passagem ele faz uma distinção clara e objetiva entre aqueles que servem a Jesus daqueles que não o servem. Aqueles que o servem são os que deram comida a quem tinha fome, deram água a quem tinha sede, deram abrigo a quem não tinha onde morar, deram vestes aos descamisados, visitaram os que estavam presos e doentes.

O auxílio ao próximo, seja ele quem for, é a resposta da essência do Natal. Este auxílio independe de tempo e lugar. É por isso que afirmo que “O espírito do Natal deve ser vivido todos os dias!”.

Caro leitor, não é minha intenção convencê-lo de deixar de praticar os costumes Natalinos. Podemos praticá-los, porém, dando um sentido mais espiritualizado a eles. Assim, o Natal é tempo de presentes, mas também de reconciliação, é tempo de mesa farta, mas também de gentileza, é tempo de enfeitar nossa casa, mas também de solidariedade, é tempo de Papai Noel, mas também de caridade. Pensemos nisso! Um Feliz Natal!

Por João Viegas

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