Vivemos como Alice?

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Filme “Alice no País das Maravilhas” de 1951 (Walt Disney)

A virada do ano sempre nos suscita à reflexão sobre nossas realizações no ano que passou. Questionamos se os objetivos planejados foram alcançados, para então projetar novos planos para o futuro. O réveillon é um momento para renovar as energias, representando um novo recomeço, com entusiasmo e esperança de um ano novo mais próspero.

Planejamos a aquisição de bens: comprar um apartamento, lap top, celular, tablet etc…, ou fazer uma viagem. Almejamos uma conquista intelectual: concluir o ensino médio, passar no vestibular ou Enem, concluir uma faculdade, pós-graduação. Pensamos na ascensão profissional e financeira: passar num concurso, abrir ou ampliar um empreendimento, conseguir um emprego, promoção, ou trabalhar em outra empresa. E não faltam planos para o lado afetivo: casar, ter filhos, constituir uma família.

Todos esses objetivos são legítimos, desde que façamos com honestidade, e devemos sempre nos empenhar em alcançá-los.

Isto me remete à obra “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carroll. Apesar de ser uma fábula para crianças, podemos tirar lições para nós adultos.

Alice está perdida. Ela se encontra num país desconhecido. Mas num dado momento ela cai em si e traça um plano. Ele tem duas fases: 1ª ela precisa voltar ao seu tamanho normal; 2ª encontrar o lindo e delicioso jardim. Apesar de excelente, ela não tem a menor ideia de como realizá-lo.

Ela tem oportunidade de crescer e consciência de que alcançou metade de seu plano, mas algo lhe desvirtua e resolve ficar pequena novamente. Ela esquece seu plano e vive como diz a música: “Deixa a vida me levar…”.

Outro momento ela está num bosque, quando encontra um gato e lhe faz a seguinte pergunta:

“Você poderia me dizer, por favor, qual o caminho para sair daqui?”

“Depende muito de onde você quer chegar”, disse o Gato.

“Não me importa muito onde…” foi dizendo Alice.

“Nesse caso não faz diferença por qual caminho você vá”, disse o Gato.

Vivemos como Alice? Somos persistentes para alcançar nossos objetivos? A cada pedra no caminho que nos faz tropeçar e cair nos desvirtua dos planos traçados por nós mesmos? Apenas nos preocupamos com o que fazer, sem se importar em como fazer? Queremos chegar a algum lugar?

Jesus de Nazaré nos ensina: “… não se preocupem, dizendo: ‘Que vamos comer? ’ ou ‘Que vamos beber? ’ ou ‘Que vamos vestir? ‘… Busquem, em primeiro lugar o Reino de Deus e toda sua justiça, e todas essas coisas lhe serão acrescentadas.”. Mateus cap. 6 vv 31 e 33.

Ele não recomenda que esqueçamos as coisas materiais, mas que a coloquemos no seu devido lugar. Devemos priorizar as questões do espírito, ou seja, a conquista das virtudes: a humildade, o altruísmo, a indulgência, benevolência, perdão e o amor para com o próximo.

Este deve ser o nosso plano principal, pois, como Alice, somos viajantes em terra desconhecida, e retornaremos um dia a nossa terra Natal, que é a Pátria Espiritual, e só levaremos daqui o que estiver em nosso coração.

Por João Viegas

Este artigo foi publicado na íntegra no blog “Espiritismo na Essência”.

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